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Antonio More/ Gazeta do Povo
A professora Liliane Padilha já trabalhou em quatro escolas diferentes só neste ano
SISTEMA DE ENSINO
A frequente transferência de docentes impede o planejamento adequado de aulas e o vínculo com os alunos
Publicado em 21/05/2013 | JÔNATAS DIAS LIMA
O calendário escolar nem chegou à metade e a professora Liliane Malinovkski Padilha já trabalhou em quatro escolas diferentes só em 2013. Docente da rede municipal de Araucária, na Grande Curitiba, hoje ela divide seu expediente como professora substituta em uma creche pela manhã e em uma escola de ensino fundamental à tarde. Uma rotina mais tranquila que a que tinha no ano passado, quando ocupava uma vaga itinerante e circulava por quatro escolas todos os dias. Esse não é um caso isolado.
A rotatividade intensa afeta a qualidade do ensino e o trabalho de muitos professores. Liliane afirma que poderia planejar melhor suas aulas se permanecesse a semana toda, em período integral, em uma mesma instituição. “Já se passou quase meio ano e, até agora, tem mãe de aluno que eu não sei quem é”, lamenta. No entanto, o sistema de escolha de vagas torna a mudança um movimento frequente. Os professores geralmente têm preferências por algumas escolas em que gostariam de atuar. Quando isso não ocorre, as condições de trabalho tornam-se um grande motivador para pedir transferência.
O que fazer?
Analistas concordam que a alta rotatividade de professores é um problema complexo e que uma solução definitiva exigiria uma revolução no sistema educacional. Algumas medidas de gestão, porém, ajudam a dar estabilidade à comunidade acadêmica:
Condições de trabalho
Garantir o material didático básico para a disciplina do professor é essencial para que ele não resolva ir para outra escola, mas o tempo usado para preparar a aula também deve ser considerado. Sendo assim, a sala dos professores não deve se limitar a um cômodo com armários. “Alguns professores saem tão estressados de suas salas que precisam de um lugar para descansar e planejar em paz”, diz a professora Lízia Helena Nagel, da UEM.
Avanço profissional
Ninguém gosta de estagnação. Por isso, quando o professor percebe que seu trabalho não tem lhe agregado valor algum, ele resolve experimentar uma mudança. Cursos de aperfeiçoamento são um bom recurso para tornar a rotina profissional mais estimulante, bem como o estabelecimento de metas e objetivos.
Relacionamento
A questão afetiva sempre pesa muito. Um professor que tem o trabalho reconhecido pela direção, pelos alunos e pelas famílias pensará duas vezes ou mais antes de deixar o ambiente.
Salário
Esse item é válido principalmente para a rede privada, já que no setor público, em geral, o professor recebe o mesmo salário independentemente da escola em que atue. Se o diretor quer manter o bom profissional, vai ter de competir com a estabilidade garantida pelos concursos públicos. Benefícios e um salário mais alto costumam ser bons argumentos.
Com as trocas de docentes, os estudantes acabam sendo os maiores prejudicados. “O excesso de rotatividade impede o vínculo entre professor e a turma e atrapalha a identificação das dificuldades de cada aluno”, diz a professora Marta Regina de Oliveira, do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Marta destaca que, mesmo havendo o planejamento por escrito do antigo professor, aquele que assume nem sempre concorda com o proposto e prefere recomeçar os conteúdos. “Isso normalmente gera defasagem de conteúdo para os alunos”, diz a especialista.
Motivos
Grande parte das movimentações dos docentes ocorre por iniciativa própria. Em 2012, na rede municipal de Curitiba, por exemplo, 2.019 professores pediram remanejamento, o que representa 17,5% do total de docentes. As justificativas para um profissional pedir transferência, segundo Marta, vão desde razões práticas, como a vontade de trabalhar perto de casa, até problemas graves, como violência ou ameaças. Na rede privada, a aprovação em um concurso público é o principal motivo de migração dos professores.
Professores da rede estadual de ensino do Paraná prometem dar aulas de apenas 30 minutos em cada disciplina na quinta-feira, em todo o Estado. Normalmente, cada aula dura 50 minutos. A medida será aplicada durante todo o dia, nos três períodos de estudos. Pela manhã, por exemplo, os alunos deverão ser dispensados por volta das 10h. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Paraná (APP-Sindicato), um comunicado sobre a mobilização deve ser entregue aos alunos - para encaminharem aos pais - nesta quarta-feira, primeiro dia de aulas no ano letivo nas escolas estaduais.
Com isto, os professores querem chamar atenção para a implantação de um terço da jornada de trabalho como hora-atividade, nomenclatura dada para o período que o professor tem para fazer atividades extraclasse, como preparar aulas e corrigir provas. Os professores da rede estadual de ensino possuem hoje 20% de hora-atividade para o total da carga horária. A proporção de um terço reivindicada está prevista na lei federal que estabeleceu o piso nacional para os professores da rede pública na educação básica.
Além da redução nas aulas, professores vão fazer uma série de manifestações em todo o Estado. Em Curitiba, ato público está programado para 11h de quinta-feira, na Boca Maldita, centro da cidade.
De acordo com o APP-Sindicato, os professores paranaenses vão participar da mobilização nacional em março que vai pedir a implantação completa da lei do piso do professor, além do investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação. Não haverá aula nas escolas estaduais no dia 15 de março, conforme aprovado em assembleia na APP-Sindicato. O sindicato e a Secretaria de Estado da Educação estão realizando reuniões sobre a hora-atividade, mas o governo ainda segue com os estudos para a implantação dos 33% da jornada para atividades extraclasse.
Com isto, os professores querem chamar atenção para a implantação de um terço da jornada de trabalho como hora-atividade, nomenclatura dada para o período que o professor tem para fazer atividades extraclasse, como preparar aulas e corrigir provas. Os professores da rede estadual de ensino possuem hoje 20% de hora-atividade para o total da carga horária. A proporção de um terço reivindicada está prevista na lei federal que estabeleceu o piso nacional para os professores da rede pública na educação básica.
Além da redução nas aulas, professores vão fazer uma série de manifestações em todo o Estado. Em Curitiba, ato público está programado para 11h de quinta-feira, na Boca Maldita, centro da cidade.
De acordo com o APP-Sindicato, os professores paranaenses vão participar da mobilização nacional em março que vai pedir a implantação completa da lei do piso do professor, além do investimento de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em educação. Não haverá aula nas escolas estaduais no dia 15 de março, conforme aprovado em assembleia na APP-Sindicato. O sindicato e a Secretaria de Estado da Educação estão realizando reuniões sobre a hora-atividade, mas o governo ainda segue com os estudos para a implantação dos 33% da jornada para atividades extraclasse.
- Especial para Terra



