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11/06/2013

FILMAGEM DO DIA A DIA DA ESCOLA… FAKE!

Retirado do blog Diário do Professor.

07 JUN 2013    POSTED BY DECLEV DIB-FERREIRA 



Esta semana esteve na escola uma equipe da rede enganação globo de televisão.

Estavam filmando o “dia a dia” da escola, para mais uma maravilhosa série da emissora sobre educação.

A ideia, segundo eles, seria acompanhar o cotidiano da escola, um trabalho em sala de aula, a reunião de professores, etc.

No dia, estavam filmando uma reunião de professores.

Solicitaram para assinar uma declaração de direitos de imagens e quem não quisesse participar, que saísse.

Saí.

Não vou ficar como fundo de pano para a encenação de uma palhaçada.

Palhaçada porque se querem mesmo captar o dia a dia da escola, que venham ficar aqui dentro no dia a dia, diariamente, cotidianamente. Ao menos por um tempo.

E não por algumas horas encenadas. E não armando um circo para filmar uma cena pré-produzida.

Pois foi isso o que se fez.

Pega-se sempre os “melhores” alunos, arma-se uma turma de mentira, filma-se uma aula que não existe.

Depois, chama um “especialista” para dar seus pitacos sobre como o professor deve se portar, como o professor desperdiça tempo em sala, como o professor deve aproveitar melhor o tempo de reunião e planejamento, como o professor deve se importar com o aprendizado do aluno, blá blá blá!

E, como sempre a globo faz, provavelmente deverá ser o “especialista” que nunca ficou dois dias dando aula numa escola pública de periferia gustavo ioschpe.

Então, eu que não vou ficar de palhaço pro dono do circo jogar ovos podres em mim!

Quer ver o dia a dia da escola?



Venha aqui ver um aluno chamar o professor de filho da puta; venha ver uma aluna acusar falsamente o professor de tê-la molestado só porque ele a retirou de sala; venha ver um responsável gritar na porta da escola “cadê aquele professor Declev que chama alunos de maconheiros e fica alisando as meninas!” [sim, passei por isso e NADA foi feito]; venha ver as turmas saírem todas no corredor gritando quando das mudanças de professor entre uma sala e outra; venha ver os alunos quebrando deliberada e propositadamente os bebedouros, cadeiras e demais utensílios; venha vê-los fazendo guerra de comida; venha vê-los quebrando, rasgando e jogando fora os materiais didáticos, uniformes, mochilas e outros materiais que recebem gratuitamente; venha ver as bolinhas de papel sujas de liquidpaper, canetas ou borrachas voando pela sala, muitas acabando no corpo dos professores; venha ver uma aluna metendo as unhas no pescoço de outro aluno, deixando uma marca como um arranhado de leão; venha ver as brigas cotidianas; venha ver os bandidos, traficantes ou simples curiosos vagabundos na porta das escolas aliciando as meninas e meninos; venha conhecer os alunos que nem material trazem, não têm cadernos – apesar de ganharem – e, quando trazem mochilas, nem tirar das costas as tiram; venha ver os alunos saindo de sala sem nem mesmo solicitar ao professor, como se estivessem em casa, não para fazerem necessidades, mas para ficar gritando, bagunçando ou brigando pelos corredores; venha ver um professor tentando ensinar alguma matéria, mas com dez alunos falando, conversando ou gritando ao mesmo tempo; venha ver um professor – eu – tentando fazer um trabalho de pesquisa, de projeto, um trabalho em grupo com uma turma em que mais da metade da turma nem mesmo pega um papel para escrever, que devolve as folhas em branco, nem abrem o caderno e fica, desafiadoramente, conversando, ouvindo músicas e brincando com celulares; venha ver um professor sair de sala passando mal pelas agressões de um aluno; venha ver quantos professores estão de licença médica por estresse ou alterações da saúde por aborrecimentos no trabalho – converse com eles; venha ver uma aluna de perna quebrada com a mãe se recusando a levá-la ao médico porque “é frescura dela”; venha ver um aluno que vive nas ruas pedindo esmolas andando pelos corredores sem termos possibilidades de fazê-lo entrar em sala; venha ver outra que é molestada; venha conhecer a escola de verdade.

Venha ver, de verdade, o cotidiano de uma escola.

Tudo o que falei acima ocorre real e cotidianamente nesta escola em que a globo veio filmar o “dia a dia” da escola.

Isso vai aparecer lá?

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor desgastado com o dia a dia da escola

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