Retirado do blog Diário do professor.
Resposta da secretária: “Sugira mudar para o sábado. A mulher já entrou no mercado de trabalho faz tempo”
por Declev Dib-Ferreira - em 08/11/2012
Resposta da secretária: “Sugira mudar para o sábado. A mulher já entrou no mercado de trabalho faz tempo”
Fui numa reunião de responsáveis num sábado na escola que dou aulas no Rio.
Chegaram lá algumas mães que não poderiam ficar, pois trabalhavam.
Estavam até mesmo de uniforme do trabalho, foram dar satisfação, pois é obrigatório o comparecimento para receber a bolsa-esmola-para-manter–filho-na-escola.
Queriam pegar o boletim, assinar a lista, comprovando a presença, e sair.
Porém, a direção não deixou, pois é ordem ordenada pra ser cumprida sem pestanejar da secretaria que teriam que assistir toda a reunião, qualquer um, independente de qualquer coisa.
Mesmo que tivessem que trabalhar.
Eu achei meio radical, fiquei com pena de umas delas, com cara de coitada, dizendo “vou chegar atrasada, meu patrão vai me descontar”, coisa e tal.
Mas, quem sou eu, um mero professor, pra entender de educação, né?
Quem entende de educação e de relações pessoais é o pessoal da secretaria, né? Afinal, não são colocados lá à toa.
Mas, eis que estou facebookeando por uma comunidade de professores da rede municipal de educação do Rio de Janeiro, e alguém copiou e colou a seguinte conversa travada com a secretária no twitter:
[Pergunta da professora:] @ClaudiaCostin, Fui informada que para poder participar da reunião escolar da minha filha, tenho que levar uma falta no meu cartão de ponto.
[Resposta da secretária:] @******** Sugira a escola de sua filha fazer como a rede, reuniões aos sábados. A mulher já entrou no mercado de trab faz tempo.
Putz!
Se é tão importante a presença nas reuniões para aqueles que recebem a bolsa-esmola-para-manter–filho-na-escola, não é para os filhos dos professores?
Somente “sugerir à escola” vai dar abono de ponto? Ou, se a escola não mudar, qual a outra ideia? Obrigar a diretora da outra escola a mudar a reunião para o sábado?
A senhora secretária esqueceu que fazer reuniões aos sábados equivale, na escola particular, a pagar hora extra aos trabalhadores de lá? Ops!… e os daqui, como fica a situação quando vão aos sábados – que NÃO É horário de trabalho?
Preciso dizer mais alguma coisa sobre como os professores estão sendo tratados nesta rede? Ou preciso desenhar a suástica para que você entenda?
Uma última pergunta: ignora a secretária que a classe trabalhadora muitas vezes trabalha até mesmo aos sábados? Como fica?
Abraços,
Declev Reynier Dib-Ferreira
Enojado e enjoado desta rede
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