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23/08/2012

MAS... ISSO VAI AFETAR A BOLSA FAMÍLIA DELE?


Retirado do blog Diário do Professor.

por Declev Dib-Ferreira
em 18/08/2012


Mas… isso vai afetar a Bolsa Família dele?

Professora está passando uma prova, como parte do processo de avaliação do aluno.

Um dos alunos é pego com um papel na mão.

Cola.

A professora pega a cola, grampeia na prova do aluno e a guarda.

Chama a mãe para conversar e explicar o que houve e orientar.

Depois de ouvir a professora, a primeira e única questão que a mãe quer saber é:

“Isso vai afetar a Bolsa Família dele?”

Não sou contra a Bolsa Família, muito pelo contrário. Sou, inclusive, a favor de um programa de Renda Mínima, nos moldes do Suplicy.

Mas talvez tenha algo de perverso nisso a longo prazo, enquanto ela for encarada como uma fonte de renda, um “emprego”, e não como uma ajuda temporária.

Mal comparando, é como o dinheiro das multas, que é visto pelos nossos gloriosos gestores como fonte de recursos e aumento da receita e não como uma punição temporária que deve deixar de existir.

Ou mesmo como os “bônus de desempenho” dado aos professores, para compensar o péssimo salário.

Desta forma nunca deixarão de existir.

O ideal é que as multas nem existam mais (mas como fazer isso, se elas são fonte de renda para governos e empresas?).



O ideal é que os professores trabalhem por amor à profissão, com respeito e trabalho profundo com os alunos, independente de qualquer coisa (mas como fazer isso, se achacam o salário e tem dão esmolas apenas por “notas”?).

O ideal é que os alunos ESTUDEM e APRENDAM, mas… pagamos para frequentar a escola, não para estudar.

Talvez possam dizer alguns que “é melhor estar na escola do que na rua”.

Ok, mas enquanto isso, a classe média ou alta continua estudando e aprendendo o que o pobre que “frequenta” a escola não faz.

São diversos os motivos – o Bolsa Família, obviamente, não é um motivo em si.

São motivos a estrutura familiar, a estrutura social, a falta de habitação decente, de alimentação, de lazer, de cultura, a pressão do tráfico e da violência.

Portanto, apenas frequentar a escola sem que tenha um amparo social, familiar, psicológico não os fará aprender.

A Bolsa Família não oferece isso, especialmente , como eu já disse, se for encarada como um emprego com estabilidade.

Percebo que o fosso pode estar se alargando entre as classes, pois apesar de estar havendo transferência de renda, está havendo crescimento intelectual ou profissional proporcional entre quem tem e quem não tem?

E, se não estiver, uma vez cessada a renda (Bolsa Família), conseguirão manter o rendimento, o crescimento, a sustentação familiar?

Se não conseguirem, poderemos diminuir ou acabar com a Bolsa Família um dia?

O plano é que sempre existam pessoas dependentes do Bolsa Família e outras que bancam o Bolsa Família?

O estudo não é importante, mas sim estar dentro da escola – não importando se não faz nada e ainda atrapalha os outros?

Não sou contra nem a favor de nada.

Não tenho respostas para nada, apenas perguntas, apenas questionamentos.

Abraços,

Declev Reynier Dib-Ferreira
Com dúvidas

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