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11/04/2013

PESQUISA ACRESCENTA NOVAS PEÇAS AO 'QUEBRA-CABEÇA' DA EVOLUÇÃO DAS ESPÉCIES


Retirado do site Agência FAPESP.

Vestígios fósseis coletados nos estados do Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul ampliam conhecimentos a respeito das espécies que habitaram essas regiões entre 290 e 200 milhões de anos atrás (divulgação)
Especiais
10/04/2013
Por Noêmia Lopes

Agência FAPESP – O maior episódio de extinção em massa da história da Terra ocorreu na passagem do Permiano (o período situado entre 290 e 245 milhões de anos atrás) para o Triássico (entre 245 e 200 milhões de anos). A hipótese mais aceita é a de que eventos vulcânicos ocorridos na Sibéria tenham alterado a composição química da atmosfera, resultando em mudanças climáticas, alterações na circulação das correntes marinhas e, por fim, a extinção em massa.

Em busca de pistas para entender melhor esse momento-chave da história geológica, Max Cardoso Langer, professor do Departamento de Biologia da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, foi a campo nos estados que guardam os principais depósitos do período Permo-Triássico brasileiro – Maranhão, Paraná e Rio Grande do Sul.

Fósseis de vertebrados, invertebrados e até mesmo vegetais desse período foram encontrados ao longo dos dois anos da pesquisa apoiada pela FAPESP entre 2010 e 2012.

Em rochas do período Permiano da Bacia do Parnaíba, no Maranhão, foi localizada uma flora até então desconhecida. “Ela guarda uma semelhança muito grande com as floras permianas da Europa, dos Estados Unidos e do Sudeste Asiático. É um detalhe técnico, mas muito interessante, pois mostra que o norte do Brasil, naquela época, tinha uma biota mais parecida com regiões ao norte do planeta do que com o restante da América do Sul”, disse Langer.

Outra descoberta feita na Bacia do Parnaíba extrapolou o período de abrangência da pesquisa: acima das rochas do Permiano, sedimentos de idade jurássica (de 200 a 145 milhões de anos) escondiam um crânio de um crocodiliforme (parente fóssil dos jacarés atuais). Em terras brasileiras, todos os tetrápodes (animais com quatro patas) do Jurássico eram conhecidos somente a partir de pegadas, tornando esse achado o primeiro com base em esqueleto, segundo Langer.

A terceira entre as coletas mais significativas do Maranhão foi a de vestígios de peixes do grupo dos semionotiformes do período Permiano, animais que tinham por volta de 25 centímetros de comprimento e tegumento áspero por conta de escamas bastante robustas. Eles eram conhecidos somente do Triássico em diante.

“Acreditava-se que tais peixes tinham surgido após a grande extinção. Com o achado, vimos que, na verdade, eles pertencem a uma linhagem que, por algum motivo, resistiu ao evento de crise e irradiou-se depois dela”, disse Langer. O material está na USP de Ribeirão Preto, em análise por uma professora parceira, Martha Richter, do Natural History Museum de Londres.

UNESP LANÇA PROJETO PARA RESGATAR MEMÓRIA DO PERÍODO DE DITADURA


Retirado do site Agência FAPESP.

"Tenho algo a dizer" reunirá depoimentos de docentes e servidores afetados direta ou indiretamente pelo regime de 1964 a 1985 (Última Hora/Arq.Estado)
10/04/2013

Agência FAPESP – O Centro de Documentação e Memória (Cedem) e o Observatório de Educação em Direitos Humanos (OEDH) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) lançaram o projeto de pesquisa “Tenho algo a dizer”, que visa obter depoimentos de docentes e ex-docentes, servidores técnicos e ex-servidores técnicos afetados direta ou indiretamente pelo regime nesse período da nossa história recente.

O projeto, que será conduzido de maio de 2013 a maio de 2014, envolverá a coleta de depoimentos voluntários e documentos, para publicação, que revelem experiências relacionadas à ditadura civil-militar do período de 1964 a 1985 vividas por docentes e funcionários e ex-funcionários da Unesp e dos Institutos Isolados.

A Unesp, criada em 1976, resultou da incorporação dos Institutos Isolados de Ensino Superior do Estado de São Paulo, então unidades universitárias situadas em diferentes pontos do interior paulista. Abrangendo diversas áreas do conhecimento, tais unidades haviam sido criadas, em sua maior parte, em fins dos anos 1950 e início dos anos 1960.

No lançamento do projeto “Tenho algo a dizer”, a Unesp publicou edital para oferecer duas bolsas para pesquisadores. Poderão se inscrever docentes doutores do quadro ativo da Unesp das áreas de História e Ciência Política.

As inscrições podem ser feitas até o dia 21 de abril em www.cedem.unesp.br (“Editais” no menu à esquerda).

Mais informações: Cedem, (11) 3105-9903, franceli@cedem.unesp.br e OEDH, (14) 3103 6172 / (14) 3103 7053 e oedh@unesp.br

28/03/2013

PESQUISA INVESTIGA TRÁFICO INTERNO DE ESCRAVOS NO BRASIL


Retirado do site Agência FAPESP.

Tese de livre-docência de professor da FEA-USP analisa as três últimas décadas da escravidão e do regime monárquico, período de grande expansão da lavoura do café no país (reprodução da capa do livro)

Especiais  -  27/03/2013  - Por José Tadeu Arantes

Agência FAPESP – Encerrado oficialmente há apenas 125 anos, o sistema escravista, componente fundamental da formação da sociedade brasileira, ainda influencia, de diferentes maneiras, o país no presente. Embora exista uma vasta historiografia da escravidão, os novos estudos são sempre oportunos – ainda mais quando, recorrendo exaustivamente às fontes primárias, investigam em profundidade aspectos que só haviam sido tratados por obras de caráter mais geral.

Tal é o caso de Escravos daqui, dali e de mais além: o tráfico interno de cativos na expansão cafeeira paulista, tese de livre-docência de José Flavio Motta, professor associado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), publicada na forma de livro com o apoio da FAPESP.

Nesse trabalho, o autor – um veterano no estudo da escravidão, que já havia publicado, em 1999, o livro Corpos escravos, vontades livres, igualmente com o apoio da FAPESP – pesquisa as características do comércio de escravos no período de 1861 a 1887, que cobre, quase inteiramente, as três últimas décadas do sistema escravista e do regime monárquico no Brasil.

“Trata-se, como é sabido, de um período de grande expansão da lavoura cafeeira na Província de São Paulo. E os municípios escolhidos para análise – Areias e Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, e Constituição (Piracicaba) e Casa Branca, no ‘Oeste Histórico’ – foram atingidos pelo avanço do café no território paulista, desde a virada do século dezoito para o dezenove”, disse.

A principal base documental do estudo foram escrituras de transações envolvendo escravos (compra e venda, permuta, doação etc.), preservadas nos arquivos desses municípios. No total, Motta analisou 1.656 escrituras, correspondentes a 3.677 cativos. Outra fonte utilizada foi o Almanak da Província de São Paulo para 1873 .

Além disso, o pesquisador percorreu a vasta coleção de fontes impressas primárias e secundárias sobre o tema, desde o relato A Peregrinação pela Província de São Paulo (1860-1861), de Augusto Emílio Zaluar, até o estudo historiográfico O escravismo colonial , de Jacob Gorender (1985), dois livros considerados clássicos.

“Analiso nessa tese as características das transações, dos escravistas que as realizavam e, sobretudo, das pessoas que eram negociadas”, afirmou Motta. Com o fim do tráfico transatlântico intensificou-se no Brasil o comércio interno de escravos, inter e intraprovincial.