Retirado do site O Povo.
Um relato muito interessantes sobre os acontecimento em Fortaleza.
Fábio Campos 16/06/2013
"Sem UNE, sem esquerda e sem os gabinetes de políticos, o movimento abrigou milhares de adesões espontâneas"
Milhares de pessoas nas ruas de Fortaleza movidas por uma única pauta: a insegurança pública. Sem UNE, sem CUT, sem a esquerda e sem os gabinetes de políticos, o movimento abrigou milhares de adesões espontâneas. Um ato civil, pacífico e ordeiro. A mais pura manifestação da cidadania cobrando o que lhe é de direito.
Nascido do incômodo de muitos, o ato germinou e cresceu divorciado da política tradicional. O movimento não tinha pais (porém, tinha mães). Tal característica deixou a esquerda desnorteada e a direita irresoluta. Ou vice-versa, como queiram.
Abrigo de nove entre dez partidos políticos, o poder trocou os pés pelas mãos, balbuciou algumas palavras desconexas e cambaleou em sua chocante incapacidade de oferecer as respostas que os manifestantes tanto pedem.
É evidente que sobrou também para a imprensa. Mal acostumadas com as primaveras, que são sempre tão parcas nos trópicos, parte das redações de nosso Ceará não soube o que fazer. Muitos de nossos jornalistas costumam retorcer a boca para o que não vem da política tradicional da esquerda militante.
Parte de nossa imprensa só ouviu, lá longe, os cães latirem, mas não perceberam a caravana da cidadania a passar célere e indignada, com suas mãos espalmadas pintadas do vermelho de sangue. Deram de ombros. No que diz respeito ao papel da imprensa, a pior das opções.
Assim como a nossa política, parte da imprensa não sabe lidar com o que surge espontaneamente na sociedade. Não havia sindicatos, não havia associações, não havia entidade de classe. Não havia financiamento público. A mobilização era exclusiva da cidadania privada a favor dos que os americanos do norte se acostumaram a denominar de “direitos civis”.
Direitos civis, direitos coletivos e direitos individuais. Não era um “Fora Sicrano” ou “Fora Beltrano”, palavras de ordem clássicas de quase todas as mobilizações organizadas no Brasil. Foi um ato que teve o Hino Nacional como trilha sonora.
Foi um ato em que as pessoas estavam preocupadas em colocar o copinho plástico de água em seu devido lugar: no lixo. Um ato movido pela gentileza. Sim, gentileza, coisa raríssima em nosso cotidiano tramado pela violência simbólica e objetiva.
Mas, voltando à imprensa, qual o seu papel em relação a movimentos como o da mão espalmada? Simples: cobrir. Abrir espaços em suas páginas para expor ao distinto público o que está acontecendo. Render-se às contingências da pauta oficial não é o caminho. Lamentavelmente, houve quem escolhesse tal opção.
A partir de um momento em que a articulação ganha corpo e representatividade no âmbito da sociedade, abriga-se dentro da lei e representa anseios justos, cabe à imprensa oferecer visibilidade aos acontecimentos e, se for o caso, até conceder apoio editorial.
Cabe à imprensa se engajar em causas pela cidadania, pelos direitos civis, individuais e coletivos. Ao longo da história da imprensa, tem sido esse comportamento a motivação maior de sua existência.
O pior dos mundos se dá quando, na ânsia de agradar ao poder que controla o tesouro, promove-se uma cobertura que rebaixa os acontecimentos, que os trata como algo banal, buscando sugar a força dos acontecimentos.
UMA CAUSA A FAVOR DE TODOS
Nos dias que antecederam ao grandioso ato de cidadania da quinta-feira, ocorreu o tímido surgimento de um movimento contrário. Nada demais. É parte do jogo. Porém, o argumento é de uma estupidez violenta e, sim, discriminadora.
A coisa se deu da seguinte maneira: todos se diziam favoráveis ao movimento e blá, blá, blá, mas faziam, digamos, ponderações quanto à natureza social das pessoas que estavam organizando o “Fortaleza Apavorada”. Ora, ora.
ABAIXO-ASSINADO UMA MATRÍCULA UMA ESCOLA
A lei 2200 garante que os professores da rede estadual não podem mais ficar em mais de uma escola, entretanto o governador Cabral quer impedir que ela seja oficializada.
Clique aqui para saber mais e participar da mobilização.
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16/06/2013
14/06/2013
INDO NA BASTILHA E MARIA ANTÔNIA SEM VANDALISMO
Imagens circulando na internet e artigo retirado do jornal O Globo.
Elio Gaspari
A PM começou a batalha na Maria Antônia
Quem acompanhou a manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus ao longo dos dois quilômetros que vão do Teatro Municipal à esquina da Consolação com a rua Maria Antônia pode assegurar: os distúrbios desta quinta-feira começaram às 19h10m, pela ação da polícia, mais precisamente por um grupo de uns vinte homens da tropa de choque, com suas fardas cinzentas, que, a olho nu, chegaram com esse propósito.
Pelo seguinte: às 17h, quando começou a manifestação, na escadaria do teatro, podia-se pensar que a cena ocorria em Londres. Só uma hora depois, quando a multidão engordou, os manifestantes fecharam o cruzamento da rua Xavier de Toledo. Nesse cenário, havia uns dez policiais. Nem eles hostilizaram a manifestação, nem foram por ela hostilizados.
Por volta de 18h30m, a passeata foi em direção à Praça da República. Havia uns poucos grupos de PMs guarnecendo agências bancárias, mais nada. Em nenhum momento foram bloqueados. Numa das transversais, uns vinte PMs postaram-se na Consolação, tentando fechá-la, mas deixando uma passagem lateral. Ficaram ali menos de dois minutos e retiraram-se. Esse grupo de policiais subiu a avenida até a Maria Antonia, caminhando no mesmo sentido da passeata. Parecia Londres. Voltaram a fechá-la e, de novo, deixaram uma passagem. Tudo o que alguns manifestantes faziam era gritar: “Você é soldado, você também é explorado” ou “Sem violência”. Alguns deles colavam cartazes brancos com o rosto do prefeito de São Paulo, “Fernando Maldad“.
Num átimo, às 19h10m, surgiu do nada um grupo de uns vinte PMs cinzentos, com viseiras e escudos. Formaram um bloco no meio da pista. Ninguém parlamentou. Nenhum megafone mandando a passeata parar. Nenhuma advertência. Nenhum bloqueio sem disparos, coisa possível em diversos trechos do percurso. Em menos de um minuto esse núcleo começou a atirar rojões e bombas de gás lacrimogênio. Chegara-se a Istambul.
Atiravam não só na direção da avenida, como também na transversal. Eram granadas Condor. Uma delas ficou na rua que em 1968 presenciou a pancadaria conhecida como “Batalha da Maria Antônia”. Alguns deles, sexagenários, não cheiram mais gás (suave em relação ao da época), mas o bouquet de vinhos.
Seguramente a PM queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista. Conseguiu, mas conseguiu que a manifestação se dividisse em duas. Uma, grande, recuou. Outra, menor, conseguiu subir a Consolação. Eram pessoas perfeitamente identificáveis. A maioria mascarada. Buscaram pedras e também conseguiram o que queriam: uma batalha campal.
Foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos.
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11/06/2013
PROTESTAR NO FACEBOOK NÃO ADIANTA. TEM QUE FECHA AVENIDA
Retirado do site da revista Carta Capital.
Atos contra o aumento da tarifa
Para algo acontecer tem que incomodar. E isso é, sim, coisa de gente civilizada. O dinheiro pressiona de um lado, as ruas têm que pressionar de outro. Por Lino Bocchini
por Lino Bocchini — publicado 07/06/2013 16:27, última modificação 08/06/2013 09:02
Ninja CC BY-SA 2.0)
Na última quinta-feira, protestos contra o aumento da passagem de ônibus e metrô (que em São Paulo subiram de R$ 3 para R$ 3,20) fecharam três das principais avenidas da cidade –Paulista, 23 de Maio e 9 de Julho. Natal, Goiânia, Porto Alegre e Rio de Janeiro também tiveram manifestações, porém, de menores proporções.
Na capital paulista o ato foi chamado pelo Movimento Passe Livre, que defende a tarifa zero no transporte público e há anos faz uma série de manifestações de rua quando a tarifa aumenta. Apesar da convocação “oficial” do MPL, participaram também militantes de outros movimentos e de partidos de esquerda como o Psol e o PSTU, além de gente sem filiação ou militância fixa. Houve alguma depredação: lixeiras viradas, cabine de polícia tombada, foram quebrados vidros de bancas, ônibus e metrô, além de sacos de lixo incendiados no meio da rua. Boa parte da mídia e a maioria das manifestações na internet deslegitimaram o protesto por conta disso. Para eles, seria um vandalismo injustificável. Para outros tantos, é igualmente inaceitável que o trânsito seja fechado, pela manifestação que for. Não concordo com nenhum dos dois argumentos.
Primeiro, esses mesmos que condenam os jovens que foram às ruas vivem bradando que a população não pode assistir impune à corrupção e demais problemas dos governos. A turma que grita “Acorda Brasil!” e outras palavras de ordem na rede vive pedindo reação popular. “Ah, mas tem formas mais civilizadas de se fazer isso, pela internet, escrevendo aos políticos, fazendo abaixo-assinados etc”.
Ã-hã. O que te parece mais eficiente? Lotar a caixa de e-mail de um assessor de quinto escalão ou fechar uma avenida num horário de pico? E desde quando grupo ou evento de Facebook muda alguma coisa? Aliás, o tal abaixo-assinado com sei lá quantas mil assinaturas contra o Renan Calheiros na presidência do Senado deu no quê mesmo? Redes sociais como o Facebook são excelentes para a troca de informação, para conectar pessoas que pensam de forma semelhante, para ajudar na organização. Mas, se a grita não sair da internet e for pra rua, de nada adianta. Nadinha.
Paris em chamas, sinal de civilidade
Paris teve protestos violentíssimos em suas periferias em 2005. Após a morte de dois africanos pela polícia no subúrbio de Seine-Saint-Denis, seguiram-se 19 dias e noites de protestos e depredação. Quase 9 mil carros foram queimados e os prejuízos, segundo estimativas conservadoras, foram de 200 milhões de dólares. Alguém acha que a Paris ficou um lugar mais inseguro, selvagem ou menos civilizado após isso? Tornou-se um destino menos atraente para as próximas férias?
E é bem melhor que seja assim, com protesto. E protesto, via de regra, não tem regra. E convenhamos: mesmo com vidros quebrados, lixeiras viradas e centenas de homens da Tropa de Choque na rua, nesta quinta-feira em São Paulo, ninguém saiu gravemente ferido --neste artigo nem vou entrar na questão da atuação da polícia, tema que por si só merecia outro artigo.
Na Europa ou mesmo em vizinhos como Argentina e Chile, países em que a população, na média, estudou por mais tempo, lê mais livros e vai mais ao teatro ao cinema do que no Brasil, as pessoas reclamam mais e vão mais às ruas. E, sim, em muitos casos há depredação.
E que sorte a deles que seja assim. O dinheiro pressiona do lado, as ruas têm que pressionar de outro. Por conta de tais protestos, seguramente Alckmin e Haddad –ou qualquer outro governante sob tal pressão-- vão se esforçar mais para evitar um novo aumento de tarifa ou, ao menos, para que eles seja o menor possível. Imagine se fosse apenas o mercado sozinho que regulasse tudo, que decidisse quando e quanto os preços aumentam, sem pressão social contundente alguma? Aí sim seria o caos.
Por fim, o trânsito, o sagrado trânsito nosso de cada dia... o motorista paulistano (e o carioca, o goiano, o pernambucano, o manauara) não aceita que você encoste no carro deles. Buzinam como loucos meio segundo depois do farol abrir, com pressa pra tirar não apenas a mãe, mas também o pai, o avô e o cachorro da forca. Sinto muito. Na verdade, sendo sincero, não sinto nada, vamos lá: protestar e fechar o trânsito é, sim, legítimo. Até alguns sacos de lixo queimados está, de certa forma, dentro das regras do jogo. Passa anos-luz de ser o crime hediondo no tribunal tosco das redes sociais.
Chega a ser cômico reclamar que o trânsito não anda por causa de um protesto. E nos demais dias do ano? Aí anda? E como resolver isso? Xingando no Facebook os moleques que protestam ou se aliando a eles, indo às ruas protestar, entre outras coisas, por um transporte público melhor e mais barato? Fico com a segunda opção.
Atos contra o aumento da tarifa
Para algo acontecer tem que incomodar. E isso é, sim, coisa de gente civilizada. O dinheiro pressiona de um lado, as ruas têm que pressionar de outro. Por Lino Bocchini
por Lino Bocchini — publicado 07/06/2013 16:27, última modificação 08/06/2013 09:02
Ninja CC BY-SA 2.0)
Na última quinta-feira, protestos contra o aumento da passagem de ônibus e metrô (que em São Paulo subiram de R$ 3 para R$ 3,20) fecharam três das principais avenidas da cidade –Paulista, 23 de Maio e 9 de Julho. Natal, Goiânia, Porto Alegre e Rio de Janeiro também tiveram manifestações, porém, de menores proporções.
Na capital paulista o ato foi chamado pelo Movimento Passe Livre, que defende a tarifa zero no transporte público e há anos faz uma série de manifestações de rua quando a tarifa aumenta. Apesar da convocação “oficial” do MPL, participaram também militantes de outros movimentos e de partidos de esquerda como o Psol e o PSTU, além de gente sem filiação ou militância fixa. Houve alguma depredação: lixeiras viradas, cabine de polícia tombada, foram quebrados vidros de bancas, ônibus e metrô, além de sacos de lixo incendiados no meio da rua. Boa parte da mídia e a maioria das manifestações na internet deslegitimaram o protesto por conta disso. Para eles, seria um vandalismo injustificável. Para outros tantos, é igualmente inaceitável que o trânsito seja fechado, pela manifestação que for. Não concordo com nenhum dos dois argumentos.
Primeiro, esses mesmos que condenam os jovens que foram às ruas vivem bradando que a população não pode assistir impune à corrupção e demais problemas dos governos. A turma que grita “Acorda Brasil!” e outras palavras de ordem na rede vive pedindo reação popular. “Ah, mas tem formas mais civilizadas de se fazer isso, pela internet, escrevendo aos políticos, fazendo abaixo-assinados etc”.
Ã-hã. O que te parece mais eficiente? Lotar a caixa de e-mail de um assessor de quinto escalão ou fechar uma avenida num horário de pico? E desde quando grupo ou evento de Facebook muda alguma coisa? Aliás, o tal abaixo-assinado com sei lá quantas mil assinaturas contra o Renan Calheiros na presidência do Senado deu no quê mesmo? Redes sociais como o Facebook são excelentes para a troca de informação, para conectar pessoas que pensam de forma semelhante, para ajudar na organização. Mas, se a grita não sair da internet e for pra rua, de nada adianta. Nadinha.
Paris em chamas, sinal de civilidade
Paris teve protestos violentíssimos em suas periferias em 2005. Após a morte de dois africanos pela polícia no subúrbio de Seine-Saint-Denis, seguiram-se 19 dias e noites de protestos e depredação. Quase 9 mil carros foram queimados e os prejuízos, segundo estimativas conservadoras, foram de 200 milhões de dólares. Alguém acha que a Paris ficou um lugar mais inseguro, selvagem ou menos civilizado após isso? Tornou-se um destino menos atraente para as próximas férias?
E é bem melhor que seja assim, com protesto. E protesto, via de regra, não tem regra. E convenhamos: mesmo com vidros quebrados, lixeiras viradas e centenas de homens da Tropa de Choque na rua, nesta quinta-feira em São Paulo, ninguém saiu gravemente ferido --neste artigo nem vou entrar na questão da atuação da polícia, tema que por si só merecia outro artigo.
Na Europa ou mesmo em vizinhos como Argentina e Chile, países em que a população, na média, estudou por mais tempo, lê mais livros e vai mais ao teatro ao cinema do que no Brasil, as pessoas reclamam mais e vão mais às ruas. E, sim, em muitos casos há depredação.
E que sorte a deles que seja assim. O dinheiro pressiona do lado, as ruas têm que pressionar de outro. Por conta de tais protestos, seguramente Alckmin e Haddad –ou qualquer outro governante sob tal pressão-- vão se esforçar mais para evitar um novo aumento de tarifa ou, ao menos, para que eles seja o menor possível. Imagine se fosse apenas o mercado sozinho que regulasse tudo, que decidisse quando e quanto os preços aumentam, sem pressão social contundente alguma? Aí sim seria o caos.
Por fim, o trânsito, o sagrado trânsito nosso de cada dia... o motorista paulistano (e o carioca, o goiano, o pernambucano, o manauara) não aceita que você encoste no carro deles. Buzinam como loucos meio segundo depois do farol abrir, com pressa pra tirar não apenas a mãe, mas também o pai, o avô e o cachorro da forca. Sinto muito. Na verdade, sendo sincero, não sinto nada, vamos lá: protestar e fechar o trânsito é, sim, legítimo. Até alguns sacos de lixo queimados está, de certa forma, dentro das regras do jogo. Passa anos-luz de ser o crime hediondo no tribunal tosco das redes sociais.
Chega a ser cômico reclamar que o trânsito não anda por causa de um protesto. E nos demais dias do ano? Aí anda? E como resolver isso? Xingando no Facebook os moleques que protestam ou se aliando a eles, indo às ruas protestar, entre outras coisas, por um transporte público melhor e mais barato? Fico com a segunda opção.
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FILMAGEM DO DIA A DIA DA ESCOLA… FAKE!
Retirado do blog Diário do Professor.
07 JUN 2013 POSTED BY DECLEV DIB-FERREIRA
Esta semana esteve na escola uma equipe da rede enganação globo de televisão.
Estavam filmando o “dia a dia” da escola, para mais uma maravilhosa série da emissora sobre educação.
A ideia, segundo eles, seria acompanhar o cotidiano da escola, um trabalho em sala de aula, a reunião de professores, etc.
No dia, estavam filmando uma reunião de professores.
Solicitaram para assinar uma declaração de direitos de imagens e quem não quisesse participar, que saísse.
Saí.
Não vou ficar como fundo de pano para a encenação de uma palhaçada.
Palhaçada porque se querem mesmo captar o dia a dia da escola, que venham ficar aqui dentro no dia a dia, diariamente, cotidianamente. Ao menos por um tempo.
E não por algumas horas encenadas. E não armando um circo para filmar uma cena pré-produzida.
Pois foi isso o que se fez.
Pega-se sempre os “melhores” alunos, arma-se uma turma de mentira, filma-se uma aula que não existe.
Depois, chama um “especialista” para dar seus pitacos sobre como o professor deve se portar, como o professor desperdiça tempo em sala, como o professor deve aproveitar melhor o tempo de reunião e planejamento, como o professor deve se importar com o aprendizado do aluno, blá blá blá!
E, como sempre a globo faz, provavelmente deverá ser o “especialista” que nunca ficou dois dias dando aula numa escola pública de periferia gustavo ioschpe.
Então, eu que não vou ficar de palhaço pro dono do circo jogar ovos podres em mim!
Quer ver o dia a dia da escola?
07 JUN 2013 POSTED BY DECLEV DIB-FERREIRA
Esta semana esteve na escola uma equipe da rede enganação globo de televisão.
Estavam filmando o “dia a dia” da escola, para mais uma maravilhosa série da emissora sobre educação.
A ideia, segundo eles, seria acompanhar o cotidiano da escola, um trabalho em sala de aula, a reunião de professores, etc.
No dia, estavam filmando uma reunião de professores.
Solicitaram para assinar uma declaração de direitos de imagens e quem não quisesse participar, que saísse.
Saí.
Não vou ficar como fundo de pano para a encenação de uma palhaçada.
Palhaçada porque se querem mesmo captar o dia a dia da escola, que venham ficar aqui dentro no dia a dia, diariamente, cotidianamente. Ao menos por um tempo.
E não por algumas horas encenadas. E não armando um circo para filmar uma cena pré-produzida.
Pois foi isso o que se fez.
Pega-se sempre os “melhores” alunos, arma-se uma turma de mentira, filma-se uma aula que não existe.
Depois, chama um “especialista” para dar seus pitacos sobre como o professor deve se portar, como o professor desperdiça tempo em sala, como o professor deve aproveitar melhor o tempo de reunião e planejamento, como o professor deve se importar com o aprendizado do aluno, blá blá blá!
E, como sempre a globo faz, provavelmente deverá ser o “especialista” que nunca ficou dois dias dando aula numa escola pública de periferia gustavo ioschpe.
Então, eu que não vou ficar de palhaço pro dono do circo jogar ovos podres em mim!
Quer ver o dia a dia da escola?
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26/05/2013
COMO VOAR COM AS ASAS CORTADAS?
Retirado do blog Diário do Professor.
25 MAI 2013 POSTED BY LUIZ EDUARDO FARIAS
Uma das coisas que mais me frustram na Educação é a alienação dos próprios profissionais que nela atuam. Nosso discurso quase sempre diverge das práticas cotidianas. No final, reproduzimos uma realidade perversa da escola, a qual falaremos adiante.
Hoje é sábado e ainda agora cheguei de uma Reunião Pedagógica em uma das minhas escolas. Antes da palestra, uma mensagem linda, que gosto muito, aquela famosa do Rubem Alves – “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” Em seguida, uma reflexão extremamente proveitosa sobre o que está por trás de uma aula, guiada por uma pedagoga que honra a sua formação, diferente de um monte que nós encontramos por aí (e convenhamos, o inverso também ocorre). A palestra em si demandaria um novo texto, mas não é meu objetivo agora. O que quero resumir é que foram quase 3 horas de um discurso muito voltado para uma escola dinâmica, com professores que servissem de referência para seus alunos, motivados e que motivassem também. Acrescento todas as mais modernas ideias propostas pela Pedagogia, de desenvolvimento das múltiplas capacidades do educando, respeitando seu ritmo e aptidões, sendo o “professor-educador” um facilitador da aprendizagem etc etc etc.
Bacana… se acabasse ali! Como a escola não vive apenas de discursos, as demandas cotidianas vieram à tona no fim da manhã, quando todos já estavam se remexendo na cadeira, em volta aos relógios e celulares, torcendo para que aquele “castigo” (é preciso dizer que estávamos ali em pleno sábado porque fizemos praticamente 1 mês de greve. Por isso, o termo usado pelos professores era exatamente esse) acabasse o mais rápido possível.
Nesse contexto, entra a fala da diretora sobre um simulado (aqui cabe uma explicação importantíssima: trata-se, talvez, de uma das melhores e mais competentes diretoras que já conheci e trabalhei. Não estou fazendo uma crítica pessoal e sim do que o que o “sistema” nos impõe e acabamos engolindo sem criticar. E pior, sem perceber que estamos engolindo algo que não queremos). A indicação da escola era que tal avaliação tivesse o valor de 2,0 ponto, sendo que os professores, querendo ou não, teriam que fornecê-la. Quando eu questionei o valor e sobretudo a intromissão da instituição na liberdade docente de avaliar seus alunos, a resposta foi que se o simulado valer pouco ninguém vai querer dar importância.
Desculpa, leitor, mas o que passou foi apenas uma introdução para o que realmente pretendo tratar neste texto: que escola queremos? Será que aumentar o valor de uma avaliação para que o aluno se interesse mais não é aceitar uma prática mercantil e reforçar esse comportamento que tanto combatemos? Sabemos que o maior interesse dos políticos quando se fala numa valorização da Educação, ressaltando a sua importância para o país, estão se referindo à lógica capitalista, que vê a escola como produtora de mão de obra dócil e acrítica. Quando adotamos essa visão mercadológica (“só faço isso se ganhar aquilo”) e utilizamos um modelo classificatório e mensurador como base para progredir o aluno estamos fazendo o trabalho sujo do capitalismo, modelando os futuros assalariados alienados.
25 MAI 2013 POSTED BY LUIZ EDUARDO FARIAS
Uma das coisas que mais me frustram na Educação é a alienação dos próprios profissionais que nela atuam. Nosso discurso quase sempre diverge das práticas cotidianas. No final, reproduzimos uma realidade perversa da escola, a qual falaremos adiante.
Hoje é sábado e ainda agora cheguei de uma Reunião Pedagógica em uma das minhas escolas. Antes da palestra, uma mensagem linda, que gosto muito, aquela famosa do Rubem Alves – “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” Em seguida, uma reflexão extremamente proveitosa sobre o que está por trás de uma aula, guiada por uma pedagoga que honra a sua formação, diferente de um monte que nós encontramos por aí (e convenhamos, o inverso também ocorre). A palestra em si demandaria um novo texto, mas não é meu objetivo agora. O que quero resumir é que foram quase 3 horas de um discurso muito voltado para uma escola dinâmica, com professores que servissem de referência para seus alunos, motivados e que motivassem também. Acrescento todas as mais modernas ideias propostas pela Pedagogia, de desenvolvimento das múltiplas capacidades do educando, respeitando seu ritmo e aptidões, sendo o “professor-educador” um facilitador da aprendizagem etc etc etc.
Bacana… se acabasse ali! Como a escola não vive apenas de discursos, as demandas cotidianas vieram à tona no fim da manhã, quando todos já estavam se remexendo na cadeira, em volta aos relógios e celulares, torcendo para que aquele “castigo” (é preciso dizer que estávamos ali em pleno sábado porque fizemos praticamente 1 mês de greve. Por isso, o termo usado pelos professores era exatamente esse) acabasse o mais rápido possível.
Nesse contexto, entra a fala da diretora sobre um simulado (aqui cabe uma explicação importantíssima: trata-se, talvez, de uma das melhores e mais competentes diretoras que já conheci e trabalhei. Não estou fazendo uma crítica pessoal e sim do que o que o “sistema” nos impõe e acabamos engolindo sem criticar. E pior, sem perceber que estamos engolindo algo que não queremos). A indicação da escola era que tal avaliação tivesse o valor de 2,0 ponto, sendo que os professores, querendo ou não, teriam que fornecê-la. Quando eu questionei o valor e sobretudo a intromissão da instituição na liberdade docente de avaliar seus alunos, a resposta foi que se o simulado valer pouco ninguém vai querer dar importância.
Desculpa, leitor, mas o que passou foi apenas uma introdução para o que realmente pretendo tratar neste texto: que escola queremos? Será que aumentar o valor de uma avaliação para que o aluno se interesse mais não é aceitar uma prática mercantil e reforçar esse comportamento que tanto combatemos? Sabemos que o maior interesse dos políticos quando se fala numa valorização da Educação, ressaltando a sua importância para o país, estão se referindo à lógica capitalista, que vê a escola como produtora de mão de obra dócil e acrítica. Quando adotamos essa visão mercadológica (“só faço isso se ganhar aquilo”) e utilizamos um modelo classificatório e mensurador como base para progredir o aluno estamos fazendo o trabalho sujo do capitalismo, modelando os futuros assalariados alienados.
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COMO A ESCOLA PODE, HOJE, RESOLVER OS PROBLEMAS CAUSADOS POR ALGUNS ALUNOS?
Retirado do blog Diário do professor.
19 MAI 2013 POSTED BY DECLEV DIB-FERREIRA
Depois do episódio do menino que agrediu a diretora – ao qual já me referi NESTE ARTIGO – levantou-se, em alguns fóruns e aqui mesmo, no Diário, o debate do que se fazer com os alunos “problemáticos”.
Sim, eles existem, independente de suas causas ou de nossas posições políticas e ideológicas, eles existem. Pra mim, muitas vezes são como consequências e vítimas de um sistema perverso; noutras, são fazedores conscientes de suas famas.
Mas, de qualquer forma, como agir com eles?
Eu afirmei, e reafirmo, que as duas posições antagônicas da balança são ineficientes e com consequências graves: tanto o nada fazer e deixar os pequenos delitos sem nenhuma sanção, punição ou consequência, quanto julgar tudo e qualquer ato como crime e passível de expulsão ou cadeia ou caso de polícia.
Algo tem que ser pensado neste meio termo.
E algo também tem que ser pensado e repensado em relação à função da escola e de como ela é equipada – material e humanamente – para cumprir a sua função, seja ela qual for.
Será que a escola que queremos tem a simples função de não deixar que as crianças e adolescentes fiquem pela rua, tem a obrigação de assistência social, dar comida e “abrigo” temporário, como uma creche ou algo do gênero?
Ou tem a função de, realmente, preparar a pessoa física, emocional, cultural, intelectualmente para sua vida?
Tem que se definir. Mas, seja para o que for, ela não está preparada com o que dão.
Pra começar, a escola carece de parcerias e apoios externos com assistência social, ministério público, conselho tutelar, secretarias de saúde, moradia ou seja lá com quem for. Quando muito, umas visitas esporádicas que quase não servem para nada.
A escola está só, sozinha, somente ela para resolver todas as pendências. Só que, sozinha, ela não tem condições com as condições que lhe dão.
O que dão à escola? Praticamente, professores para lidar, cada um, com 30 ou 40 alunos de uma vez.
19 MAI 2013 POSTED BY DECLEV DIB-FERREIRA
Depois do episódio do menino que agrediu a diretora – ao qual já me referi NESTE ARTIGO – levantou-se, em alguns fóruns e aqui mesmo, no Diário, o debate do que se fazer com os alunos “problemáticos”.
Sim, eles existem, independente de suas causas ou de nossas posições políticas e ideológicas, eles existem. Pra mim, muitas vezes são como consequências e vítimas de um sistema perverso; noutras, são fazedores conscientes de suas famas.
Mas, de qualquer forma, como agir com eles?
Eu afirmei, e reafirmo, que as duas posições antagônicas da balança são ineficientes e com consequências graves: tanto o nada fazer e deixar os pequenos delitos sem nenhuma sanção, punição ou consequência, quanto julgar tudo e qualquer ato como crime e passível de expulsão ou cadeia ou caso de polícia.
Algo tem que ser pensado neste meio termo.
E algo também tem que ser pensado e repensado em relação à função da escola e de como ela é equipada – material e humanamente – para cumprir a sua função, seja ela qual for.
Será que a escola que queremos tem a simples função de não deixar que as crianças e adolescentes fiquem pela rua, tem a obrigação de assistência social, dar comida e “abrigo” temporário, como uma creche ou algo do gênero?
Ou tem a função de, realmente, preparar a pessoa física, emocional, cultural, intelectualmente para sua vida?
Tem que se definir. Mas, seja para o que for, ela não está preparada com o que dão.
Pra começar, a escola carece de parcerias e apoios externos com assistência social, ministério público, conselho tutelar, secretarias de saúde, moradia ou seja lá com quem for. Quando muito, umas visitas esporádicas que quase não servem para nada.
A escola está só, sozinha, somente ela para resolver todas as pendências. Só que, sozinha, ela não tem condições com as condições que lhe dão.
O que dão à escola? Praticamente, professores para lidar, cada um, com 30 ou 40 alunos de uma vez.
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25/05/2013
PROFESSOR VAGABUNDO QUE FAZ GREVE DEVERIA SER DEMITIDO
Retirado do blog do Sakamoto.
Leonardo Sakamoto 23/05/2013 23:54
“Vagabundo que faz greve deveria ser demitido.” Algumas poucas vezes me dou o direito de atualizar e republicar certos textos deste blog. Hoje é o caso. Pois, ouvi no trem, uma senhora reclamando destemperadamente com uma amiga dos professores da rede municipal em São Paulo, que estão em greve desde o dia 03 – da mesma forma que doutos senhores espezinhavam a greve de professores das universidades federais, tomando cafezinho nos Jardins, tempos atrás. Pedem 17% de recomposição inflacionária dos últimos três anos. A prefeitura oferece 10,19% agora e mais 13,43% em 2014. Mas os sindicatos alertam que esses valores seriam relativos a outros acordos firmados em anos anteriores para incorporação de abonos.
Contudo, mais do que discutir se o salário dos professores será suficiente para pagar uma esfiha ou um kibe no Habib’s, o que me interessa neste texto é a forma com a qual vemos suas reivindicações e as descolamos da melhoria da educação como um todo.
Quando escrevi pela primeira vez sobre isso vivíamos a greves dos mestres das universidades federais. E, é claro, essa frase nunca vem sozinha: passeata que atrapalha o trânsito? Cacete neles! Protesto em praça pública? Cacete neles! Onde já se viu? Essas pessoas têm que saber seu lugar.
Sindicatos não são perfeitos, longe disso. Assim como ocorre em outras instituições, possuem atores que resolvem voltar-se para os próprios umbigos e tornar a busca pelo poder e sua manutenção de privilégio mais importante que os objetivos para os quais foram eleitos. Ou seja, tá cheio de sindicalista pelego ou picareta, da mesma forma que empresário corrupto e sonegador. Contudo, graças à organização e pressão dos trabalhadores, importantes conquistas foram obtidas para civilizar minimamente as regras do jogo – não trabalhar até a exaustão, descansar de forma remunerada, ter salários (menos in)justos, garantir proteção contra a exploração infantil. Direitos estes que, mesmo incompletos, são chamados por alguns empregadores de “gargalos do crescimento”.
Leia também:
Para professores de SP, propaganda de Haddad na TV é “enganosa”
É esquizofrênico reclamar que não há no Brasil quantidade suficiente de força de trabalho devidamente preparada para fazer frente às necessidades de inovação e produtividade e, ao mesmo tempo, chutar feito caixa de giz vazia as reivindicações de professores por melhores condições e remuneração. Como acham que o processo de formação ocorre? Por osmose? Cissipartição? Geração espontânea a partir dos argumentos fedidos desse povo?
Incrível como muitos colegas, ao tratarem sobre greve de professores, chamam sempre as mesmas fontes de informação que dizem, sempre, as mesmas coisas: é hora de apertar os cintos, os grevistas só pensam neles, a economia não aguenta, bando de vagabundos, já para a senzala sem jantar, enfim. Não existe imparcialidade jornalística. Qualquer estudante de jornalismo aprende isso nas primeiras aulas. Quando você escolhe um entrevistado e não outro está fazendo uma opção, racional ou não, por isso a importância de ouvir a maior diversidade de fontes possível sobre determinado tema. Fazer uma análise ou uma crítica tomando partido não é o problema, desde que não se engane o leitor, fazendo-o acreditar que aquilo é a única intepretação possível da realidade.
Leonardo Sakamoto 23/05/2013 23:54
“Vagabundo que faz greve deveria ser demitido.” Algumas poucas vezes me dou o direito de atualizar e republicar certos textos deste blog. Hoje é o caso. Pois, ouvi no trem, uma senhora reclamando destemperadamente com uma amiga dos professores da rede municipal em São Paulo, que estão em greve desde o dia 03 – da mesma forma que doutos senhores espezinhavam a greve de professores das universidades federais, tomando cafezinho nos Jardins, tempos atrás. Pedem 17% de recomposição inflacionária dos últimos três anos. A prefeitura oferece 10,19% agora e mais 13,43% em 2014. Mas os sindicatos alertam que esses valores seriam relativos a outros acordos firmados em anos anteriores para incorporação de abonos.
Contudo, mais do que discutir se o salário dos professores será suficiente para pagar uma esfiha ou um kibe no Habib’s, o que me interessa neste texto é a forma com a qual vemos suas reivindicações e as descolamos da melhoria da educação como um todo.
Quando escrevi pela primeira vez sobre isso vivíamos a greves dos mestres das universidades federais. E, é claro, essa frase nunca vem sozinha: passeata que atrapalha o trânsito? Cacete neles! Protesto em praça pública? Cacete neles! Onde já se viu? Essas pessoas têm que saber seu lugar.
Sindicatos não são perfeitos, longe disso. Assim como ocorre em outras instituições, possuem atores que resolvem voltar-se para os próprios umbigos e tornar a busca pelo poder e sua manutenção de privilégio mais importante que os objetivos para os quais foram eleitos. Ou seja, tá cheio de sindicalista pelego ou picareta, da mesma forma que empresário corrupto e sonegador. Contudo, graças à organização e pressão dos trabalhadores, importantes conquistas foram obtidas para civilizar minimamente as regras do jogo – não trabalhar até a exaustão, descansar de forma remunerada, ter salários (menos in)justos, garantir proteção contra a exploração infantil. Direitos estes que, mesmo incompletos, são chamados por alguns empregadores de “gargalos do crescimento”.
Leia também:
Para professores de SP, propaganda de Haddad na TV é “enganosa”
É esquizofrênico reclamar que não há no Brasil quantidade suficiente de força de trabalho devidamente preparada para fazer frente às necessidades de inovação e produtividade e, ao mesmo tempo, chutar feito caixa de giz vazia as reivindicações de professores por melhores condições e remuneração. Como acham que o processo de formação ocorre? Por osmose? Cissipartição? Geração espontânea a partir dos argumentos fedidos desse povo?
Incrível como muitos colegas, ao tratarem sobre greve de professores, chamam sempre as mesmas fontes de informação que dizem, sempre, as mesmas coisas: é hora de apertar os cintos, os grevistas só pensam neles, a economia não aguenta, bando de vagabundos, já para a senzala sem jantar, enfim. Não existe imparcialidade jornalística. Qualquer estudante de jornalismo aprende isso nas primeiras aulas. Quando você escolhe um entrevistado e não outro está fazendo uma opção, racional ou não, por isso a importância de ouvir a maior diversidade de fontes possível sobre determinado tema. Fazer uma análise ou uma crítica tomando partido não é o problema, desde que não se engane o leitor, fazendo-o acreditar que aquilo é a única intepretação possível da realidade.
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SP
11/05/2013
A TRANSFORMAÇÃO DA EDUCAÇÃO INFANTIL NO RIO DE JANEIROR
Retirado do blog do vereador Mesina.
Diário do Mandato
Pessoal,
“…somente admitir novos profissionais na educação infantil que possuam a titulação mínima em nível médio, modalidade normal…“. É com essa clara determinação que a Lei Federal 10.172 especifica a formação obrigatória para se trabalhar em creches e pré-escolas, desde Janeiro de 2001, em sua meta 6. Portanto, há 12 anos.
Apesar disso, em 2005, a Prefeitura do Rio criou um cargo chamado de Agente Auxiliar de Creche, pela lei municipal 3.985, e a escolaridade mínima exigida: Ensino Fundamental. Ou seja, 4 anos depois de já vigorar a Lei Federal, o Rio fez uma lei que a contrariou.
Em julho de 2008, outra lei municipal, de número 4.866, determinou na meta 21, C, que todos os auxiliares de creche “em cinco anos, tenham titulação mínima em nível médio (modalidade normal)”, ou seja, o prazo é este ano, 2013.
Mas por que só ter profissionais com formação de professor na Educação Infantil? Essa é a mais importante pergunta de todo o processo. E é fundamental que o leitor entenda este ponto, pois tudo se baseia nisso.
Educar e cuidar são indissociáveis na Educação Infantil.
O Conselho Nacional de Educação já deu parecer: “…A ludicidade integra a natureza das práticas educativas na Educação Infantil, isto é, esta lhe é implícita de forma indissociável. Neste sentido, não se concebem atividades de recreação separadas do conjunto das práticas pedagógicas, o que significa que não comportam a função especial de recreacionista. (…) embora um professor possa e deva desenvolver atividades de recreação, ele atua além disso – seu foco é acompanhar o desenvolvimento sociocultural das crianças investigando e favorecendo os fatores que estimulam suas aprendizagens. Por sua vez, um recreacionista não recebeu formação para mediar processos de crianças de zero a seis anos voltados à exploração, descoberta e construção de uma identidade pessoal, restando-lhe a tarefa, sem dúvida importante, de animar atividades recreativas das crianças. A mesma relação (…) pode ser apontada quando se trata da contratação de um pajem, ou um monitor. Nesse caso, lhes são em geral reservadas funções de dar cuidado físico e garantir segurança às crianças, novamente tarefas que são parte do processo de educar as crianças, mas deles não é esperado trabalhar para aperfeiçoar as linguagens infantis, aspecto que envolve aprendizagens e respectivas metodologias específicas em relação às crianças pequenas”.
Sendo absolutamente explícito, correndo o risco de ser rude, mas precisando ser claro, afirmo: Professor que quer atuar na educação infantil sem dar banho, assoar nariz, trocar fraldas, melhor será atuar em outra fase da vida. Nestes processos de cuidar há muito mais coisa envolvida do que só cuidados com a higiene: há o lúdico.
Em outro parecer, de número 20/2009, o Conselho diz: “As práticas envolvidas nos atos de alimentar-se, tomar banho, trocar fraldas e controlar os esfíncteres, na escolha do que vestir, na atenção aos riscos de adoecimento mais fácil nessa faixa etária, no âmbito da Educação Infantil, não são apenas práticas que respeitam o direito da criança de ser bem atendida (…). Elas são também práticas que respeitam e atendem ao direito da criança de apropriar-se, por meio de experiências corporais, dos modos estabelecidos culturalmente de alimentação e promoção de saúde, de relação com o próprio corpo e consigo mesma, mediadas pelas professoras e professores, que intencionalmente planejam e cuidam da organização dessas práticas”.
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10/05/2013
MOBILIZAÇÃO OU GALINHA AO MOLHO PARDO?
Retirado do blog SOS Educação.
QUINTA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2013
Perplexidade, decepção, vergonha e medo, muito medo foi o que senti ao ver a Assembleia, realizada ontem (08/05/13) na Hebraica, vazia.
Caminhamos para o precipício e poucos se dão conta desta realidade, direitos estão sendo solapados, a educação está sendo privatizada e quase ninguém se dá conta da gravidade da situação.
A categoria está pulverizada. A força de adesão que tornou possível as greves históricas e os ganhos da categoria se perdeu. O que mudou e produziu esse esgarçamento do tecido docente?
A resposta é simples e pode ser detectada nas redes sociais. Foi o alívio paliativo de pressão da necessidade através de mecanismos que dão a ilusória sensação de sair do vermelho, provocado pelos baixos salários, através dos “penduricalhos” – GLP, dobras, bônus, ajuda de custo, certificação, etc. que nos tirou a energia da mobilização.
Produtividade.
Optando pela via de que “de grão em grão a galinha enche o papo”, parte considerável da categoria, iludida se sente, momentaneamente, aliviada da pressão provocada pelos baixos salários e não vê razões para aderir à greve. Essa é a estratégia que vem sendo usada, com êxito, pelos governantes para desunir e enfraquecer a categoria. Ora se as galinhas estão felizes em se esfalfar para viver de grão em grão, vamos mantê-las com um suprimento baixo de grãos, pois uma galinha faminta é submissa e fácil de ser manipulada e amedrontada! Assim o galinheiro pouco a pouco, vai sendo desmontado e as galinhas famintas não percebem que de migalha a migalha, estão caminhando para a panela.
É triste, lamentável e vergonhoso ver nas redes sociais que a maior parte da categoria se preocupa mais em saber, quando vai ser jogado o próximo punhado de ração, do que com a destruição da educação e a anulação dos direitos adquiridos em anos de luta. Entrem nas comunidades do Orkut e do Facebook e vejam como a nossa categoria, alienada e miserável se presta a esse triste papel. O que importa é saber com sai o auxílio x, a bolsa y ou a confirmação da promessa (nem sempre cumprida) do bônus z.
Isolamento e alienação.
Enquanto a galinha mantêm os olhos fixos nas migalhas, no alto decretos, leis e portarias estão sendo propostos, votados e aprovados para destruir os direitos legais pertencentes à categoria. Leis não cumpridas como, por exemplo, a data-base; redução de vagas de trabalho com o fechamento de escolas, a otimização de turmas, a implantação do NEJA e do AUTONOMIA e com o ensino à distância. Professores estão sendo substituídos por aparelhos de televisão e computadores, há professores com a carga horária pulverizada em diversas escolas, pagando para ir trabalhar,porque os auxílios transporte e alimentação não cobrem essa demanda. A educação se encontra na mão de leigos caindo, vertiginosamente, em matéria de qualidade e bilhões que deveriam ser investidos nos docentes e nas escolas, estão sendo desperdiçados em propaganda e indo engordar as contas de fundações, ONGS e institutos criadas pela iniciativa privada para abocanhar as verbas públicas destinadas à educação. Nem mesmo o fato das políticas educacionais estarem sendo elaboradas por instituições financeiras internacionais – BID, OMC, PISA - é motivo de preocupação, indignação e revolta.
Poucos se dão conta disso, a maioria não percebe que a faca está sendo amolada e a água da panela está quase fervendo.
Acordem, porque a condição de galinha de molho pardo é irreversível!
LUTAR E RESISTIR É PRECISO!
QUINTA-FEIRA, 9 DE MAIO DE 2013
Perplexidade, decepção, vergonha e medo, muito medo foi o que senti ao ver a Assembleia, realizada ontem (08/05/13) na Hebraica, vazia.
Caminhamos para o precipício e poucos se dão conta desta realidade, direitos estão sendo solapados, a educação está sendo privatizada e quase ninguém se dá conta da gravidade da situação.
A categoria está pulverizada. A força de adesão que tornou possível as greves históricas e os ganhos da categoria se perdeu. O que mudou e produziu esse esgarçamento do tecido docente?
A resposta é simples e pode ser detectada nas redes sociais. Foi o alívio paliativo de pressão da necessidade através de mecanismos que dão a ilusória sensação de sair do vermelho, provocado pelos baixos salários, através dos “penduricalhos” – GLP, dobras, bônus, ajuda de custo, certificação, etc. que nos tirou a energia da mobilização.
Produtividade.
Optando pela via de que “de grão em grão a galinha enche o papo”, parte considerável da categoria, iludida se sente, momentaneamente, aliviada da pressão provocada pelos baixos salários e não vê razões para aderir à greve. Essa é a estratégia que vem sendo usada, com êxito, pelos governantes para desunir e enfraquecer a categoria. Ora se as galinhas estão felizes em se esfalfar para viver de grão em grão, vamos mantê-las com um suprimento baixo de grãos, pois uma galinha faminta é submissa e fácil de ser manipulada e amedrontada! Assim o galinheiro pouco a pouco, vai sendo desmontado e as galinhas famintas não percebem que de migalha a migalha, estão caminhando para a panela.
É triste, lamentável e vergonhoso ver nas redes sociais que a maior parte da categoria se preocupa mais em saber, quando vai ser jogado o próximo punhado de ração, do que com a destruição da educação e a anulação dos direitos adquiridos em anos de luta. Entrem nas comunidades do Orkut e do Facebook e vejam como a nossa categoria, alienada e miserável se presta a esse triste papel. O que importa é saber com sai o auxílio x, a bolsa y ou a confirmação da promessa (nem sempre cumprida) do bônus z.
Isolamento e alienação.
Enquanto a galinha mantêm os olhos fixos nas migalhas, no alto decretos, leis e portarias estão sendo propostos, votados e aprovados para destruir os direitos legais pertencentes à categoria. Leis não cumpridas como, por exemplo, a data-base; redução de vagas de trabalho com o fechamento de escolas, a otimização de turmas, a implantação do NEJA e do AUTONOMIA e com o ensino à distância. Professores estão sendo substituídos por aparelhos de televisão e computadores, há professores com a carga horária pulverizada em diversas escolas, pagando para ir trabalhar,porque os auxílios transporte e alimentação não cobrem essa demanda. A educação se encontra na mão de leigos caindo, vertiginosamente, em matéria de qualidade e bilhões que deveriam ser investidos nos docentes e nas escolas, estão sendo desperdiçados em propaganda e indo engordar as contas de fundações, ONGS e institutos criadas pela iniciativa privada para abocanhar as verbas públicas destinadas à educação. Nem mesmo o fato das políticas educacionais estarem sendo elaboradas por instituições financeiras internacionais – BID, OMC, PISA - é motivo de preocupação, indignação e revolta.
Poucos se dão conta disso, a maioria não percebe que a faca está sendo amolada e a água da panela está quase fervendo.
Acordem, porque a condição de galinha de molho pardo é irreversível!
LUTAR E RESISTIR É PRECISO!
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22/04/2013
OPINIÃO DE PROFESSOR É NULA NO DEBATE SOBRE EDUCAÇÃO
Retirado do site do jornal Folha de SP.
Há uma configuração desfavorável para que os docentes participem das discussões, diz autora de tese de mestrado da USP
21 de abril de 2013 | 2h 06
PAULO SALDAÑA - O Estado de S.Paulo
O professor ensina a tabuada, história do Brasil, geopolítica, o mistério dos olhos de ressaca de Capitu, os catetos e o quadrado da hipotenusa. Comanda aulas em escolas distantes, pobres e improvisadas e, sobretudo, conhece de perto os alunos que o País quer educar. Mas, quando o assunto é a melhoria e os desafios da educação, sua opinião no debate público simplesmente desaparece - seja porque não foi procurado, não quer ou não pode falar (ou acha que não deve).
Enquanto técnicos, políticos, pesquisadores, governos e empresários têm voz ativa em discussões que vão do currículo à formação docente, quem está "na ponta", ou seja, na sala de aula, não aparece. Mas qual a explicação para essa ausência?
Na busca por uma resposta, a jornalista Fernanda Campagnucci encontrou várias durante pesquisa de mestrado que finaliza na USP. "Existe uma configuração desfavorável para que os professores participem do debate público sobre educação, e isso leva ao silêncio dos docentes", explica ela, que é editora do Observatório da Educação, boletim da ONG Ação Educativa.
Essa configuração citada por Fernanda se constrói com base em um processo em que se articulam fatores como o papel do professor na sociedade, representações que circulam no imaginário social, como o despreparo dos docentes, e também a existência de mecanismos administrativos e burocráticos que tolhem a liberdade de expressão.
Professor da rede estadual de São Paulo em Piracicaba, no interior, Fabio Laismann, de 42 anos, é contundente: "Quem se posiciona tem problemas", diz ele. "Mas ainda assim prefiro não ficar neutro." Laismann afirma que se posicionar na imprensa ou mesmo dentro das escolas não é uma cultura bem-vinda no ambiente. "Quando tem opinião, o professor perde espaço, sofre coação e fica visado."
Citando uma música do grupo O Rappa, ele lembra que esse silêncio faz muito mal à categoria. "Paz sem voz é medo, não adianta fugirmos dos problemas. O professor é quem está na sala, ele sabe o que funciona."
De acordo com o professor Francisco Carlos Telles Baldi, de 56 anos e 28 de sala de aula, há uma "interlocução falsa" nas escolas. "Parece que somos ouvidos nas reuniões, mas isso não vai para cima." Ele próprio acredita que a categoria tem a responsabilidade por não participar do debate. "Professores precisam ter a força de vontade para se envolver e também para se qualificar, porque até para isso há uma resistência."
Não há aspecto legal que proíba servidores de se manifestarem. É o que ressaltaram as secretarias de Educação do município e do Estado de São Paulo. A pasta estadual informou que "não compactua" com constrangimento e violação de direitos, entre eles o de livre expressão. "Todo servidor tem direito de se expressar", afirmou em nota.
Além de muitos professores duvidarem dessa garantia, permanece entre os profissionais da educação uma ideia de que realmente existe uma lei de mordaça. E não é por acaso: até 2009, no Estado, e 2010, na Prefeitura, um dispositivo do estatuto dos servidores tolhia o direito de expressão. As tais leis de mordaça foram revogadas, mas seu efeito ainda paira nas escolas.
Medo. A decisão pelo silêncio não é só na hora de criticar. Há alguns meses, o Estado procurou uma professora que havia confessado à reportagem que se sentia mais realizada ao dar aulas em escola pública na periferia do que em unidades particulares. No primeiro contato, empolgação sobre a oportunidade de falar sobre o assunto. Mas, em seguida, a frustração. "Conversei com os colegas e me disseram que não posso falar sem autorização, prefiro não prejudicar minha carreira", disse. E não houve argumento que a fez mudar de ideia.
O professor da Faculdade de Educação da USP Ocimar Alavarse acredita que haja um exagero. "Esse medo de punição talvez seja exagerado", diz ele, que contabiliza entre 100 e 200 entrevistas por ano. Alavarse ressalta outros fatores, como o receio de o professor ser exposto na mesma medida das notícias negativas sobre o ensino público. "Há também um tipo de medo pelo suposto controle político da imprensa, que a frase será deturpada, amalgamada. Mas é um risco que sempre vai existir, até na sala."
Para Fernanda Campagnucci. a voz do professor é essencial para a melhora da educação. "A sociedade tem muito a ganhar, mas ele tem de se dispor."
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SERVIDORES ESATDUAIS DA EDUCAÇÃO DIZEM, EM PESQUISA, QUE NÃO SE SENTEM RECONHECIDOS
Retirado do site do jornal Extra.
Publicado em 22/04/13 09:00
Djalma Oliveira
Para a professora Janaina, reconhecimento é ter um bom salário Foto: Djalma Oliveira / Agência O Globo
Apesar de estarem informados sobre os critérios para a concessão do bônus de desempenho, os servidores da Secretaria estadual de Educação do Rio não sentem que seu esforço é reconhecido. Esse foi um dos resultados da primeira Pesquisa de Clima Organizacional realizada pela pasta. A participação do quadro de funcionários foi voluntária, e o questionário ficou disponível na internet entre dezembro de 2012 e fevereiro deste ano.
Numa das 70 perguntas feitas aos funcionários — nenhuma delas sobre salário —, apenas 22% dos participantes responderam que sempre têm reconhecido o empenho em contribuir para o sucesso da secretaria. No entanto, 55% dos entrevistados afirmaram que são informados a respeito das regras para o pagamento da gratificação por desempenho.
— Reconhecimento tem a ver com salário e condições de trabalho — afirmou o coordenador do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação, Alex Trentino.
Wilson Risolia, secretário estadual de Educação, considerou o resultado “natural”:
— Ainda tem quem confunda remuneração variável com meritocracia, que é uma coisa mais ampla. Nós levamos professores para fazer intercâmbio em vários países e vamos fazer um treinamento na França para os docentes das escolas bilíngues (português-francês). Isso também é reconhecer o mérito.
Ainda segundo Risolia, uma pergunta sobre salário não seria obrigatória.
— A pesquisa era para saber se ele entendia o nosso programa. Mas podemos incluir uma pergunta sobre remuneração na próxima pesquisa — disse.
A pesquisa, realizada pelo Centro de Produção da Uerj (Cepuerj), também apontou que 52% dos servidores que responderam sempre confiam nas pessoas com as quais trabalham. Na parte de saúde e bem-estar, 61% afirmaram que sempre gostam do trabalho que realizam, e 52% sempre se sentem seguros nos locais de trabalho. Já 31% dos servidores entendem que os benefícios oferecidos sempre aumentam a qualidade de vida deles.
— Para mim, reconhecimento de mérito é ganhar um salário digno e ter boas condições de trabalho — afirmou a professora do estado Janaina de Assis Matos, de 28 anos.
16/04/2013
ALUNOS-PROBLEMA ATÉ COM A POLÍCIA. O QUE DIZER COM PROFESSORES?
Retirado do blog Diário do Professor.
13 ABR 2013 POSTED BY DECLEV DIB-FERREIRA
Como eu digo, diversas tentativas são tomadas para que possamos trabalhar adequadamente com os “alunos-problema”, e todos os outros.
Mas a maioria dos alunos têm o seu direito por uma educação de qualidade dificultado – não só, mas sim, este é um dos motivos – por estes alunos que não deixam as aulas acontecerem normalmente. Independente do que seja “normalmente”, pois isso varia de professor a professor.
Ora, os professores faltam e tiram licença por estresse e doenças ligadas à profissão por não aguentarem mais a falta de respeito e falta de limites dos alunos.
Os professores desistem de tentar fazer algo em determinadas turmas por não conseguirem fazer nada, após muitas tentativas.
Como dito, as aulas não podem ocorrer de maneira satisfatória muitas vezes por conta de determinados – seja lá que tipo de aulas forem.
Vejo isso dia a dia há quase 14 anos que estou dentro de sala. Não falo de achismo. Digo isso porque é o que acontece comigo e com meus colegas.
Mas, o que fazer? Essa é a questão.
Como garantir a todos – aos outros que são prejudicados por estes e aos mesmos – uma aula de qualidade?
Uma escola teve a ideia de fazer palestras com os mais indisciplinados.
Veja o que aconteceu:
Cinco meninos (quatro com antecedentes criminais) e uma menina foram encaminhados ao Deca – alguns por desacato, outros por dano a patrimônio público. A polícia descobriu que um deles, de 15 anos, estava foragido da Fase, onde deveria cumprir medida socioeducativa por crime de tráfico.
A polícia pega e “apreende” por desacato e dano ao patrimônio.
E o professor, sem a polícia, faz o quê?
Fica doente, por estresse e impotência.
Então, você é daqueles para quem a escola tem que lidar com tudo isso sozinha?
Então, você acha que estamos preparados pra isso?
Então, você acha que a escola tem a obrigação de, do jeito que é, com os recursos que lhes dão, com os profissionais que estão lá dentro, dar conta de ensinar os conteúdos a todos os alunos?
E tem que ensinar estes conteúdos e ensinar os alunos a serem cidadãos responsáveis, conscientes de seus direitos e deveres, respeitadores das regras de trânsito, defensores do meio ambiente, com responsabilidade social, cuidadores da sua sexualidade e reprodução, bons membros de família…?
E, isso tudo, com TODOS, com antecedentes criminais e foragidos?
Então tá.
A educação continuará deste jeito, por mais datashow e computador que se distribua por ai.
Abraços,
Declev Reynier Dib-Ferreira
Professor ou policial?
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VIOLÊNCIA NA ESCOLA
28/03/2013
A FERRAMENTA DE BUSCA, PARA O MELHOR OU O PIOR
Retirado do site Observatório da Imprensa.
PLANETA DIGITAL - Por James B. Rule em 26/03/2013 na edição 739
Reproduzido do Estado de S.Paulo, 24/3/2013, tradução de Celso Paciornik
“A ferramenta de busca perfeita seria como a mente de Deus”, declarou famosamente o cofundador do Google, Sergey Brin. Deliberadamente ou não, com isso ele colocou as aspirações de sua empresa na linha direta de descendência de um dos movimentos intelectuais mais influentes da história – o Iluminismo.
Já no século 17, os pensadores iluministas viam seu mundo no limiar de uma transformação de alto a baixo. Impulsionando essa revolução estava a ascensão do pensamento científico. A ciência e a tecnologia não proporcionariam somente enriquecimento material e aventura espiritual; mais importante ainda, as novas maneiras de pensar resultariam numa governança racional dos assuntos humanos – acarretando, com isso, o fim dos conflitos e da opressão.
Todo conflito humano, ódio entre grupos, partidarismo e luta por vantagens, desse ponto de vista, era um resultado direto da ignorância. À medida que a compreensão científica se estendesse ao funcionamento da vida social em si, as diferenças políticas e sociais se esfumariam como fantasmas em plena luz do dia.
Como “a mente de Deus”, a avaliação científica de situações complexas ou conflituosas revelaria os interesses gerais da humanidade, desautorizando a busca de interesses particulares e partidários. Assim, profetizou o pensador quintessencial do Iluminismo, Henri de Saint-Simon, a religião cederia sua autoridade à ciência e a política se dissolveria na administração.
Os profetas do Iluminismo estavam obviamente corretos ao prever que a ciência e seu rebento tecnológico produziriam tanto abundância material quanto mudanças profundas em nossas maneiras de pensar. Mas o papel da ciência nos assuntos humanos se provou, no mínimo, mais problemático.
Longe de eliminar as bases das mazelas e conflitos humanos, a ciência e a tecnologia deram maior alcance à destrutividade humana.
Assim, os mesmos insights que resultaram na vacinação e no controle de infecções bacterianas, também se prestaram à ascensão da guerra bacteriológica. O desenvolvimento da dinamite para mineiros por Alfred Nobel ajudou a tornar a guerra mais mortífera. As descobertas de novas formas de energia e novas maneiras de explorá-las prepararam o palco para conflitos cada vez mais destrutivos sobre fontes e usos da energia. A ciência genética à serviço da agronomia produziu novas variedades de alimentos e pesticidas – e novos conflitos sobre a propriedade e os usos dessas coisas.
Deuses da guerra
Em suma, é difícil ver “a mente de Deus” em ação na assimilação social de ciência e tecnologia. Os usos dessas capacidades antes parecem refletir o papel de deuses da guerra que, a despeito do Iluminismo, ainda se digladiam dentro da natureza humana.
Olhando para três séculos no futuro – o intervalo que aproximadamente nos separa dos inícios do Iluminismo –, os casos de pensamento científico que deram errado podem assumir formas catastróficas.
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A SOCIEDADE SE DESCOLA
Retirado do site Observatório da Imprensa.
REDES SOCIAIS - Por Luciano Martins Costa em 27/03/2013 na edição 739
Comentário para o programa radiofônico do Observatório, 27/3/2013
Os jornais da quarta-feira (27/03) não trazem um tema impactante, desses capazes de mobilizar as opiniões dos leitores. Mas o conjunto das notícias forma um mosaico interessante para a análise de algumas mudanças que podem ser percebidas na relação da sociedade com a mídia tradicional.
Com exceção do Globo, as manchetes destacam a aprovação do projeto que estende os direitos trabalhistas de empregadas domésticas, tema que já vem sendo debatido nas redes sociais há pelo menos uma semana: a única coisa que o leitor tem de novidade é que agora se tornou lei, e os jornais aproveitam para esclarecer melhor as novas regras.
O Globo prefere usar a manchete para discutir o fechamento do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, mas também registra a mudança nas normas trabalhistas. A Folha de S.Paulo ainda encontra espaço para sua recém-inaugurada cruzada contra o novo prefeito de São Paulo, cujo mandato ainda não completou três meses.
De modo geral, parece haver um esforço dos diários para se manter sintonizados com os debates nas redes sociais digitais, onde a natureza do trabalho doméstico produz opiniões muito divergentes. Há reportagens alertando para o risco de centenas de milhares de demissões, a possibilidade de se reduzir o número de empregos domésticos com carteira assinada, e para o possível aumento das demandas na Justiça do Trabalho.
Parte da imprensa também registra o caso do jovem que teve um braço decepado após atropelamento em São Paulo e que se reencontrou com os homens que o socorreram na ocasião do acidente.
Em todos esses temas, é interessante observar como o noticiário da mídia tradicional interage com informações e opiniões postadas autonomamente por participantes das mídias digitais. Assim como acontece com as instituições que regulam a vida pública, como o conjunto dos partidos políticos, comissões do Congresso ou entidades do sistema Judiciário, parece estar em andamento uma diluição do poder da imprensa sobre aquilo que se costumava chamar de “opinião pública”.
Os espaços públicos para a comunicação se expandem sem limites perceptíveis e os temas dos quais se ocupa a sociedade não dependem mais apenas nos meios institucionais de informação e opinião. A questão da violência urbana, por exemplo, ganha outra dimensão nos relatos e comentários publicados nas redes sociais, onde as pessoas podem entender melhor os sentimentos do jovem atropelado ao rever aqueles que salvaram sua vida.
Democracia midiática
Há sinais de que a sociedade em rede se descola rapidamente da imprensa e demais instituições tradicionais. Por outro lado, pode-se notar como a rotina das instituições passa a ser afetada pela dinâmica do ambiente de relações virtuais criado pela tecnologia digital de comunicação.
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24/03/2013
PROFESSORES FALTAM OU FALTAM PROFESSORES
Retirado do site Portal Aprendiz.
Coluna Livre - 21/03/13 - Por Maria Izabel Noronha
A cada início de ano os meios de comunicação publicam reportagens e análises que identificam os principais problemas da rede pública estadual de São Paulo. Um dos pontos destacados é a falta, nas salas de aula, de professores de muitas disciplinas, como Física, Química, Biologia, mas também Sociologia, Filosofia e outras. Isto afeta diretamente o direito dos estudantes a uma educação de qualidade.
Múltiplos fatores interferem na qualidade do ensino, entre eles a profissionalização e as condições de trabalho dos professores; as condições de ensino-aprendizagem dos estudantes, a gestão escolar; a organização curricular, a formação inicial e continuada dos profissionais da educação; a infraestrutura e equipamentos das unidades escolares etc. A qualidade da educação pública também está relacionada a fatores como as políticas sociais implementadas pelo poder público, distribuição de renda, desigualdade social, ampliação das redes de ensino e atendimento ao direito à educação, entre outros.
O espaço “Coluna Livre” publica artigos de opinião produzidos por leitores do Portal Aprendiz. O texto “Professores faltam ou faltam professores” foi produzido por Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP).
É função primordial da escola formar cidadãos, por meio não apenas da transmissão sistemática do saber historicamente acumulado, patrimônio universal da humanidade, mas também da produção coletiva de novos conhecimentos. Neste sentido, a escola precisa estar articulada a um projeto educacional de conteúdo humanista, comprometido com a escolarização de todos com qualidade.
Inegavelmente, o professor é o elemento central do processo ensino-aprendizagem. Para além da estrutura e da infraestrutura, sem dúvida elementos importantes, devemos reconhecer que o ofício do professor é único e insubstituível, e como tal deve ser valorizado. É necessário, sobretudo, recuperar a escola como processo de humanização, no sentido do atendimento das necessidades do ser humano que nela trabalha e estuda. Sem isto, a escola pública não alcançará o êxito esperado pela sociedade.
O professor da rede estadual de ensino de São Paulo vem sendo submetido a condições que não favorecem o seu trabalho. A gestão escolar encontra-se extremamente centralizada, quer no que diz respeito à formulação das políticas educacionais – na qual os profissionais da educação não ouvidos – seja na formulação e execução do projeto político-pedagógico de cada unidade escolar.
Os artigos 13 e 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional asseguram aos professores “participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino”, a “participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola”, bem como a “participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes”, nem sempre, porém, isto ocorre de fato. Os professores são vistos apenas como executores das políticas definidas pelas autoridades e gestores educacionais e os conselhos de escola, na maior parte das vezes, cumprem um papel protocolar e homologatório.
A valorização dos professores se assenta no tripé “salário, carreira/jornada e formação, inicial e continuada”. Hoje a carreira do magistério paulista não corresponde às necessidades da escola pública. Ela não atrai os melhores profissionais e muitos professores deixam as escolas estaduais para se dedicarem a outras atividades, dentro ou fora de sua área de formação. Os salários são muito baixos. É sintomático que esteja decaindo, ano após ano, o número de estudantes matriculados e formados em licenciaturas.
A formação inicial, nas faculdades públicas e privadas, encontra-se divorciada da realidade das escolas, enquanto o sistema de ensino não oferece formação continuada no local de trabalho. Muito menos cria condições para que isto ocorra, ao não aplicar a chamada “jornada do piso”, dedicando no mínimo 33% da carga horária semanal do professor para atividades realizadas fora da sala de aula.
Ao mesmo tempo, porém, aplica aos professores sucessivas avaliações, inclusive para manter grande parte do contingente (hoje quase 50 mil profissionais) em situação de contratação temporária, sem direitos básicos. O Estado pretende selecionar professores, quando há falta destes profissionais. Um contra-senso que leva o governo a convocar todos os professores disponíveis, mesmo aqueles que não realizaram a prova ou não obtiveram a nota exigida.
Este quadro, aliado à escalada de casos de violência dentro e no entorno das escolas, vem provocando o adoecimento dos professores, perceptível no cotidiano das escolas e confirmado por pesquisas realizadas pela APEOESP, em parceria com a Unifesp e Grupo Géia; pela CNTE, em convênio com Universidade de Brasília; pela Fundacentro e outras instituições públicas e privadas.
Os números demonstram que a carreira docente já não atrai os jovens estudantes na proporção das necessidades do nosso país. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep/MEC), em 2007 havia 2.500.554 profissionais atuando em sala de aula, mas em 2009 este número baixou para 1.977.978 professores.
O Censo do Ensino Superior, também realizado pelo Inep/MEC, registra que de 2005 a 2009 o número de estudantes universitários formados em cursos de docentes para a Educação Básica caiu de 103 mil para 52 mil. O mesmo se repete no caso dos cursos de licenciatura, tendo havido queda no interesse pela carreira: naquele período o número de formados em licenciaturas caiu de 77 mil para 64 mil.
O Brasil precisa urgentemente rever esta situação. A rede estadual de ensino de São Paulo, a maior do país, deve dar o exemplo.
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07/03/2013
FUNDO DO POÇO PROFESSOR MARCOS RODRIGUES
Retirado do site do SEPE Regional 7.
“O Fundo do Poço”
Mais uma vez a educação pública carioca é exposta a uma situação constrangedora e, infelizmente, cômica se não fosse trágica. Esta semana fui surpreendido com a notícia, na página eletrônica de um grande jornal do país, que os professores de nossa rede seriam orientados a arrancarem duas folhas do Caderno Pedagógico de Matemática do 6º ano. A princípio, não acreditei na manchete, tal seu absurdo, e pus-me a ler a matéria. Ela dizia que números da eleição para prefeito e vereadores da cidade do Rio de Janeiro foram utilizados em textos e exercícios para a criação de gráficos e tabelas. Isto teria chamado a atenção da justiça brasileira que teria cobrado explicações do prefeito e da SME carioca. Confesso que ainda continuei um tanto cético, pois não podia crer que a SME fosse tão ingênua a ponto de emitir material pedagógico que, na melhor das hipóteses, sugere uma propaganda político/partidária que não se justifica em material pedagógico.
No dia seguinte, ao chegar à escola onde trabalho, procurei imediatamente o referido Caderno Pedagógico e para minha surpresa lá estavam os números da última eleição carioca para prefeito e também da votação alcançada por vários vereadores, orientando nossas crianças a trabalharem com índices e porcentagens. Cheguei então à única conclusão possível, chegamos ao fundo do poço.
Passei então a refletir sobre a situação. Será que ao confeccionar o referido Caderno Pedagógico ninguém da SME considerou a possibilidade de que o uso de tais dados pudesse trazer complicações legais? Ou será que mesmo sabedores desta possibilidade a certeza da impunidade e da falta de contestação motivou tal ato? Por que não se utilizaram nomes de candidatos fictícios se o objetivo da atividade era apenas familiarizar o aluno com o uso de tabelas e gráficos? Impõe-se uma pergunta óbvia: quem teria sugerido o uso destes dados? Ou será que o uso foi ordenado? Neste caso quem o teria feito e com que objetivo?
Pensemos.
A primeira possibilidade é a de que o principal gestor da cidade tenha orientado a SME para que estes números fossem utilizados no material pedagógico de nossas crianças. Neste caso o objetivo poderia ser o de fazer proselitismo político/partidário e eleitoral. Esta hipótese exigiria um parecer do Ministério Público, da Justiça Eleitoral, do Tribunal de Contas do Município e do Tribunal de Justiça. Ao chefe do executivo municipal caberia uma explicação à sociedade e um pedido de desculpas. Esperemos.
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28/02/2013
A POLÍTICA DE COTAS GANHOU MAIS UMA
Elio Gaspari
A diferença entre a nota do cotista favorecido e a do candidato que perde a vaga é menor do que se supunha
Uma coisa é defender as cotas quando a distância é pequena, bem outra seria admitir que um estudante que faz 700 pontos na prova deve perder a vaga para outro que conseguiu apenas 400. O que é diferença pequena? Sabe-se lá, mas 300 pontos seria um absurdo.
Os adversários das cotas previam o fim do mundo se elas entrassem em vigor. Os cotistas não acompanhariam os cursos, degradariam os currículos e fugiriam das universidades. Puro catastrofismo teórico. Passaram-se dez anos, e Ícaro Luís Vidal, o primeiro cotista negro da Faculdade de Medicina da Federal da Bahia, formou-se no ano passado e nada disso aconteceu. Havia ainda também as almas apocalípticas: as cotas estimulariam o ódio racial. Esse estava só na cabeça de alguns críticos, herdeiros de um pensamento que, no século 19, temia o caos social como consequência da Abolição.
Mesmo assim, restava a distância entre o beneficiado e o barrado. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais divulgou uma pesquisa que foi buscar esses números no banco de dados do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Neste ano, as cotas beneficiaram 36 mil estudantes. Pode-se estimar que em 95% dos casos a distância entre a pior nota do cotista admitido e a maior nota do barrado está em torno de 100 pontos. Em 32 cursos de medicina (repetindo, medicina) a distância foi de 25,9 pontos (787,56 contra 761,67 dos cotistas).
O Inep listou as vinte faculdades onde ocorreram as maiores distancias. Num caso extremo deu-se uma variação de 272 pontos e beneficiou uns poucos cotistas indígenas no curso de história da Federal do Maranhão. O segundo colocado foi o curso de engenharia elétrica da Federal do Paraná, com 181 pontos de diferença. A distância diminui, até que, no 20º caso, do curso de ciências agrícolas de Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Federal do Rio Grande do Sul, ela ficou em 128 pontos.
Pesquisas futuras explicarão como funcionava esse gargalo, pois se a distância girava em torno de 100 pontos, os candidatos negros e pobres chegavam à pequena área, mas não conseguiam marcar o gol. É possível que a simples discussão das ações afirmativas tenha elevado a autoestima de jovens que não entravam no jogo porque achavam que universidade pública não era coisa para eles. Neste ano, 864.830 candidatos (44,35%) buscaram o amparo das cotas.
A política de cotas ocupou 12,5% das vagas. Num chute, pode-se supor que estejam em torno de mil os cotistas que conseguiram entrar para a universidade com mais de cem pontos abaixo do barrado, o que vem a ser um resultado surpreendente e razoável. O fim do mundo era coisa para inglês ver.
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